Informação demais prejudica o "destino"?

 “Destino” é como empresários e profissionais do ramo de hospedagem chamam um lugar turístico. Pensando nesses destinos, são feitas feiras, eventos, divulgação e toda a espécie de trabalho que vise atrair pessoas para aquele lugar com o intuito de fomentar a economia local, o que seria ótimo se todas as partes envolvidas vissem o lugar que moram como “fonte de renda”.



O que acontece é que, como em todo processo de venda, o papel do vendedor pode ser visto como o de alguém que tenta ajudar o comprador a encontrar um bom produto ou, aquele que visa apenas tirar sua “comissão” e vender determinado produto omitindo possíveis defeitos que o comprador só irá tomar conhecimento após a compra.


Eu lembro que quando comprei meu primeiro carro, procurei uma loja em São José do Mipibu. O vendedor viu minha inexperiência no assunto e me ofereceu uma verdadeira “bomba” em forma de carro. O vendedor me fez dirigir aquela “maquina” e sentir a potência do motor… Me apaixonei na hora!! Peguei minhas economias de anos e a fim de realizar o sonho de ter um automóvel, acabei levando um carro cheio de problemas, com motor importado e de difícil manutenção, impossível de ser consertado pelos “mexânicos” de Goianinha. Passei anos pagando o preço de uma má escolha e da má intenção do vendedor que, em nenhum momento pensou no meu lado e que só queria se livrar daquela bomba e faturar o máximo possível pegando mais um “otário”.

Será que quem vende Pipa realmente pensa no turista? Será que quem trabalha diretamente com o turismo esta pensando no bem estar do visitante e na excelência em hospitalidade?

Uma coisa a se pensar é que, quando o turista compra o seu pacote ou deseja sair de sua casa para vir pra cá, ele vem em busca de bons momentos. Busca felicidade, realizar sonhos e até de marcar uma fase de sua vida visitando um lugar maravilhoso com pessoas gentis e hospitaleiras. Mas, será que o turista encontra realmente isso quando chega por aqui? E se esse turista decidisse pesquisar mais um pouco e se deparasse com blogs e grupos como o “Ke Saber?” que mostram diversos problemas e informações negativas do “destino”, será que ele decidiria ignorar a informação e viajar mesmo assim? Eu certamente não teria comprado aquele carro maldito se tivesse pesquisado antes ou, trocado informações com ex proprietários daquele modelo.

Só que, ao contrário de um produto como um carro, o produto turístico ou um “destino” pode se modificar. Esse produto é composto não apenas por lugares e pontos para “tirar selfie” mas, também por pessoas e por sociedades que, definitivamente, podem se transformar e pra isso, precisam se informar.

A informação, principalmente nos dias atuais, onde todos podem ser produtores e consumidores dela, graças a democratização trazida pela internet, é um agente transformador, seja ela boa ou ruim. As sociedades precisam se informar e ter registros históricos de seus erros e acertos para que possam crescer da maneira certa e amadurecer como sociedade sustentável e consolidada e pra isso, alguém ou alguma coisa, precisa “tocar o dedo na ferida” ou dar uns “tapinhas corretivos” de leve.

O problema é que, esses agentes que visam tornar publicas informações relevantes e que possam trazer maturidade para o “destino” pode ir de encontro ao interesses de quem quer vender o lugar como um “paraíso de aguas mornas onde você será feliz e terá ótimas experiências”. Ou seja: Falar a verdade é contrariar os interesses de quem quer vender a o Fiat Marea 20 Valvulas Turbo o lugar e faturar em cima.

Então como agir? 

Durante muito tempo fiquei confuso sobre isso. Parei de escrever no blog e deixei a coisa seguir naturalmente seu rumo nas redes sociais. O grupo de debate “Ke Saber?” seguiu sendo moderado por mim e pelo Jack De Emilia na intensão de manter aquelas informações apenas localmente, ou seja, procurando sempre não prejudicar os vendedores do “destino” e o mesmo tempo, tentando fazer a informação circular para que a cidade possa amadurecer e evoluir de forma responsável e sustentável só que, uma coisa terrível aconteceu nos últimos anos. Um tal de “Whatsapp” apareceu para descentralizar e democratizar não a informação mas, a desinformação que, ao contrário da informação, é altamente letal para uma sociedade.

Com a democratização que o Whastapp trouxe, a informação deixou de seguir seu fluxo de forma natural e passou a ser desviada e transformada por pessoas, muitas vezes mal intencionadas ou apenas “arruaceiras” que encontraram seu “alter ego” no aplicativo. Conheço pessoas que na vida real são incríveis mas, no Whatsapp são verdadeiros psicopatas! A desinformação encontrou um canal perfeito para ferrar a coisa toda!

Então, acredito que a melhor forma de encararmos esse conflito é com a verdade. A verdade tem que ser dita e gritada aos 4 ventos! Não adianta tentar esconder ou “compartimentar” a difusão da informação, ela sempre vai encontrar uma forma de alcançar a todos, da forma real e transformadora ou da forma falsa e deturpada das fake news das redes sociais. 

As vezes, como nós seres humanos, as sociedades precisam de um “puxão de orelha” de um amigo ou de alguém mais experiente que vai ver que você esta errado e que vai te dar parâmetros para se auto-criticar e avaliar. E assim, compartilhando informações umas com as outras, as sociedades podem se desenvolver de forma saudável e duradoura.

Em suma: Passei a creditar que para vender um “destino”, é preciso saber falar a verdade ao comprador. E é preciso que o vendedor saiba que esta sendo prejudicado para reagir e tentar tornar seu produto melhor, e não ocultar informações que poderiam decidir na sua venda.

Como moradores de uma cidade que vive do turismo. Precisamos estar cientes de que “nós somos  o agente da transformação”. Ou seja: uma Tibau do Sul/Pipa melhor, só depende de nossa forma de agir e interagir uns com os outros.  E é preciso que tenhamos real compromisso em tornar o “destino” melhor não apenas tentar esconder a sujeira debaixo do tapete ou por trás de logomarcas bonitinhas e que remetem a uma falsa preocupação com a sustentabilidade.

A informação é um bem transformador de qualquer sociedade mas é preciso saber tirar proveito dela. Reconhecer que estamos errados e ter humildade para se autocriticar é fundamental se quisermos vender "o destino" sem mentiras ou falsas promessas aos nossos visitantes. Pra isso, acredito que precisamos estar atentos a função construtiva dos meios de informação locais e, mais do que isso, estimula-los!





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